Cidadelas & muros: como o ser humano se tornou um animal urbano

Fruto de 30 meses de estudo bibliográfico e pesquisa de campo, este é o segundo livro de Alexandre. A obra foi pensada como um estudo das semelhanças e diferenças entre as cidades medievais europeias e as cidades contemporâneas do mundo. Originalmente, iria se chamar Feudos Contemporâneos. Por isso, durante sua pesquisa, Gossn visitou países como Colômbia, Irlanda, Escócia, Inglaterra, País de Gales, Rep. Tcheca, Áustria e Romênia em busca de cidades amuralhadas (nem todas medievais), museus e dados concretos sobre o tema eleito. Sua ideia era aproveitar o acesso às vastas fontes bibliográficas que vinha consultando, mesclá-las ao imenso conhecimento do seu orientador, o PHD Prof. José Marques Carriço da Universidade Católica de Santos e assim, desenvolver uma dissertação absolutamente original sobre o assunto. O paralelo entre as cidades muradas e os condomínios fechados dos séculos XX e XXI seria explicitado de forma científica. Mas as coisas mudaram.

Conforme avançava na pesquisa, o autor observou que constatava fatos novos para além da Idade Média. Mais que o paralelo que faria entre as cidades de 1200 anos para cá, observou que tinha se deparado com percepções agudas: o ser humano não fora sempre urbano e a maioria de nós não se dá conta disso. Mais que isso: somos urbanos apenas há 0,3% de nossa trajetória como gênero homo! O que fazer com essa percepção? Calar-se ou levá-la a público? Parecia tão óbvia e desprezada ao mesmo tempo! E explica tanto. Mais pessoas precisavam saber disso, pois para o autor, esse dado reflete em como a urbanização é experiência recente e por isso, tem muito a ser lapidada. Assim, o paralelo entre idade medieval e cidades contemporâneas deixou de ser o “livro” para se tornar um capítulo de algo maior.

Tendo redirecionado o objeto de estudo, Alexandre se debruçou sobre os dados que garimpou no vasto acervo bibliográfico e os mesclou aos dados obtidos em campo, tendo por fim, os peneirado com o seu mentor, o Prof. José Marques Carriço. Gossn apresenta em Cidadelas & Muros algo certamente inédito: uma síntese multidisciplinar da saga humana, dos galhos das árvores para as savanas, das aldeias e tribos para as lavouras e destas paras as cidades: a epopeia urbana. Alexandre ainda sintetizou o que são os cidadãos, o que é cidadania, evidenciou paralelos claros entre o sapiens e seus irmãos insetos como formigas, abelhas e cupins, que também são eussociais e vivem em suas “cidades” há muito mais tempo que nós humanos, que não raramente, os menosprezamos.

Gossn também apresenta revelações poderosas como a de que foi a cidade que criou o anonimato, condição que explica essa busca incessante pela diferenciação e atormenta parte imensa dos seres humanos. De quebra, o autor apontou para o surgimento de um processo que pode corroer a cidade de dentro para fora: a liquefação da cidadania, bipartida em acidadania para muitos e hipercidadania para poucos, o autor aponta para um futuro possivelmente aterrador. Uma obra que traz dados que estiveram em nossos narizes este tempo inteiro, mas faltava alguém para os depurar, organizar e apresentar. Alexandre logrou-o: a forma de estudar as cidades, possivelmente, não será mais a mesma.

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