Do início da formação dos primeiros Estados Nacionais no globo cerca de 300 anos atrás até o fim da Segunda Guerra Mundial (1945), o continente europeu teve poucos suspiros de paz.

A geografia do continente europeu (como ensina Jared Diamond), repleta de recortes por rios, montanhas e clivagens físicas diversas, criou uma profusão de culturas, idiomas e construtos políticos. Esse cenário, por seu turno, sem uma organização política hegemônica lançou os europeus a uma constante corrida armamentista, tecnológica e por recursos naturais, tornando-os colonizadores, industriais e claro, altamente militarizados.

O resultado, todos sabemos, culminou no selvagem combate entre os aliados e o eixo, com milhões de mortos ao redor do mundo.

Como escapar desta ratoeira social, econômica e política? Diversos líderes europeus -já nos anos 20, portanto após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) – sabiam como: era preciso instituir uma ORGANIZAÇÃO SUPRANACIONAL onde as nações europeias fossem participantes e retirar a vasta matéria-prima que dava vazão às guerras do controle de poucos políticos e militares.

Robert Schuman e Jean Monet, lideres políticos franceses no pós-guerra elaboraram a segunda ideia, CRIANDO A COMUNIDADE DO CARVÃO E AÇO, conseguindo assim manter as duas principais matérias-primas da Guerra longe do controle de apenas um país. Bélgica, França, Alemanha, Países Baixos, Luxemburgo e Itália foram signatários deste pacto que se tornaria no futuro o Mercado Comum Europeu e algumas décadas depois, a Própria UE.

Já Altiero Spinelli (vide as duas fotos iniciais) foi um consagrado parlamentar italiano que fez um dos primeiros esboços da UE em um papel de pão, enquanto esteve preso pela luta contra o fascismo, o chamado Manifesto de Ventetone.

O mundo passa por uma fase muito similar a que precedeu as duas grandes guerras, onde há um jogo multipolar pelo poder e luta pelos recursos naturais. Essa dinâmica pode empurrar a humanidade para uma nova era de guerras de todos contra todos, daí, as lições de Spinelli, Schuman e Monet prosseguirem atuais.

A UE, desde então, jamais assistiu um país que seja seu membro agredir outro. Pode parecer pouco, mas até 1945 era essa a regra.