Lisboa, como diversas cidades da Europa foi ocupada por romanos.

Por isso, vez por outra, ruínas são encontradas, especialmente durante a construção de edifícios novos.

Antigas termas, pórticos ou criptas, os modelos variam, mas a riqueza histórica está aqui, logo abaixo dos pés dos lisboetas.

No Brasil temos legislação e instituições que deveriam zelar pelo patrimônio histórico. Uma delas (e talvez a mais importante) é o Iphan, que o presidente da república admitiu recentemente e com orgulho indisfarçável não o conhecer, para em seguida confessar que só soube para que servia o Iphan justamente para o desmobilizar.

Motivo: o seu aliado Luciano Hang não desejava que o Iphan paralisasse a obra de uma loja Havan que escavou acidentalmente relíquias indígenas de centenas de anos.

Vejo muitos brasileiros afirmarem que não temos história no Brasil: não é verdade. A verdade é que APAGAMOS a História do Brasil, inclusive, a RECENTE.

Povo sem memória não aprende com os erros do passado e os repete no presente e no futuro. Povo sem memória é povo sem cultura política: inocente, pueril, facilmente vitimado por engodos populistas e cantos das sereias das soluções simplistas para problemas complexos.

Povo sem memória não reconhece injustiça social, violência existencial, desigualdade de gênero e influências de países externos na política doméstica.

A amnésia social é tão disfuncional a um país quanto a bioemocional a um indivíduo.

Foto de @alegossn : trecho da rua da Prata onde diversas ruínas romanas foram encontradas e preservadas.