Dióxido de Carbono (CO2), Metano (CH4) e Óxido Nitroso (N2O) são 03 dos 05 gases que mais contribuem ao efeito estufa, com o consequente aquecimento global. Um dos problemas do aquecimento planetário induzido pela humanidade é que ele tem pontos de inflexão e superados estes pontos, não é possível interromper os danos ambientais, mesmo que a civilização estanque as práticas lesivas.

Esta conclusão – não é minha ou de um pesquisador – mas de milhares, coordenados pelo sueco Johan Rockstrom. Desde 2008, Rockstrom tem sido enfático e a Conferência do Clima em Glasgow (ocorrendo agora) está recheada de dados enviados pelo pesquisador. Não faltam, portanto, provas do funesto rumo que estamos adotando, mas simplesmente, a adoção de decisões políticas sustentáveis, sérias e multilaterais (frise-se!).

O aquecimento reduz a biodiversidade, acidifica os oceanos, produz mais secas e incêndios, que por sua vez liberam mais carbono na atmosfera. Mas o que isso tem a ver com o indivíduo?

Tudo.

Passamos como gênero humano dois milhões de anos sem reconhecer nossos direitos individuais. A Pré-História, a Antiguidade, a Idade Média… nenhuma destas eras reconheceu universalmente o indivíduo. Foi só a partir da idade Moderna que concebemos o reconhecimento universal da individualidade de cada um de nós.

Dá para entender, portanto, porque como civilização pós-industrial, somos apaixonados pela nossa individualidade, reconhecida só recentemente (não mais que 300 anos).

Isso significa em termos proporcionais, 0,015% de nossa existência. O problema é neste curto espaço de tempo, nosso ego foi capaz de estabelecer uma civilização pródiga em invenções, mas também altamente destrutiva.

Levamos 99.985% de tempo do gênero humano para reconhecer a importância do indivíduo e agora precisamos em tempo ainda menor reconhecer que sem o meio ambiente este indivíduo reconhecido tardiamente perecerá.

Nossa mentalidade pueril, de indivíduo reconhecido tardiamente precisará de um salto quântico enquanto civilização para compreender que o indivíduo não sobreviverá como uma ilha se não se reconectar com o meio ambiente que o rodeia e do qual faz parte.

A civilização não será capaz de manter o seu modus vivendi se não reconhecer que a soluções individuais, nacionais e tribalistas não serão capazes de dar conta da ratoeira climática que a civilização industrial armou contra si mesmo.

Os alimentos escassearão, a água potável se tornará mais rara, os modelos climáticos não darão conta de prever o comportamento de um clima que deixou para trás o estável holoceno (era climática que perdurou cerca de 10 a 20 mil anos e na qual surgiu a agricultura e com ela a nossa civilização) e migrou a um arisco antropoceno (era climática que parece ter surgido com a revolução industrial).

Não é mais uma questão tecnológica ou mesmo epistemológica, mas uma questão filosófica, moral e de instinto de autopreservação, inclusive individual.

Ao se recusar a abandonar o modelo de indivíduo recém- emancipado de que tudo pode se tudo lhe convém única e individualmente sem refletir sobre as externalidades do seu estilo de vida, todos indivíduos, bem como empresas grandes ou pequenas e também as nações estarão condenando este próprio modelo individualista, atomizado e insustentável.

A solução, contudo, como o próprio Prof. Rockstrom tem alertado não é mais tecnológica, mas sim, política.

Já temos os meios materiais para as adotar.

Faltam agora líderes pressionados a decidir o que precisa ser decidido, pois só assim, os indivíduos serão preservados. Talvez estejamos chegando a uma fase mais madura do reconhecimento da nossa individualidade: a de que sim, somos livres para fazer o que desejarmos e sermos indivíduos únicos, mas somos eternamente reféns das consequências das nossas decisões e da interdependência que governa o cosmos.