Ouço Beatles desde que me enxergo por gente, porque meus pais ouviam muito.

Os dois LPs duplos (vermelho e azul) foram rodados quase até furar no velho signus (aparelho quase profissional dos anos 80).

Quando tínhamos em torno de 7, 8 anos, eu, meu irmão e meus primos costumávamos imitar o quarteto de Liverpool com guitarras e contrabaixos improvisados no isopor.

A bateria era composta do castelo de Grayskull e guard-rails de autoramas + baquetas e pratos de isopor.

Fizemos turnês inteiras assim e na família éramos uma unanimidade maior que Lennon & McCartney.

Agora papo sério: demorei dois anos para assistir YESTERDAY de Danny Boyle, e como bom fã dos Beatles amei.

Por baixo da necessária suspensão da descrença para aceitar a premissa de um mundo sem o quarteto de Liverpool, há subjacente 3 pontos que permeiam a película:

– na história do pop, qualquer um parece o Salieri ao lado de Mozart quando medido com McCartney & Lennon;

– a experiência de ouvir Beatles pela primeira vez para quem pôde enquanto estavam na ativa é impossível de ser calculada;

– reencontrar Lennon velho é o sonho de qualquer fã e o ouvir falar de amor por experiência própria é emocionante porque a biografia dele corrobora o roteiro.

De resto, fica a lição do cálice envenenado que é a fama: Malik tinha o amor mas queria a fama. Depois teve a fama e queria o amor, que foi o preço para ascender à fama.

Despretensioso, sutil e delicioso para os fãs dos Beatles e do humor britânico.