Tenho sido muito indagado sobre Karl Jaspers e me vejo obrigado a voltar a ele. Às vezes pela forma como o presidente lidou com as vidas humanas no curso da Pandemia e ora, pelo seu pouco apreço pela democracia e instituições constitucionais.

Alegar que as eleições serão fraudadas por não usarem papel é como alegar que processos judiciais eletrônicos são parciais.

Mas há método nisso.

Não é inocência ou porque o presidente é “rústico” como alguns dizem. Há um projeto em curso que consiste em erodir diuturnamente o grau de confiança do cidadão nas leis e instituições que nos fizeram deixar as cavernas.

O presidente e seu projeto político nunca foram propositivos: sua plataforma foi sempre iconoclasta e lastreada em ódio, ressentimento, falsificação do passado e medo.

Nada de bom saiu dali e nada de bom sairá.

Quantas vidas ele ajudou a matar já sabemos. Quantas ainda ele ajudará a matar, não sabemos.

Em que estado estará a nossa democracia nas vésperas das eleições também é um incógnita.

Voltando a Jaspers: ele diria que cada um de nós é um pouco culpado politicamente por termos permitido este homem chegar onde chegou.

Mas o que dirão de nossa geração em 2051 é uma certeza: brasileiros tímidos com a barbárie.