O governador do Rio Grande do Sul (Eduardo Leite) revelou nesta semana ser gay.

O que muda? E o que não muda?

Bem, voltemos 15 anos.

Em idos de 2005, uma pesquisa nacional constatou que os brasileiros JAMAIS votariam nas pessoas com as seguintes condições:

03 – corruptos

02 – gays

01 – ateus

Os corruptos raramente se declaram como tal, mas seguem sendo eleitos.

Os ateus são minoria no país: estimados em 5% da população, em contraste com os 10% dos EUA, 30% do Reino Unido e 50% da Escandinávia.

Ser ateu no Brasil, portanto, é ser 1 em 20.

Mas e os gays?

Os gays são minoria e uma minoria altamente injustiçada e discriminada.

Se Leite levou anos para assumir essa condição estando em uma posição privilegiada em termos sociais e econômicos, imaginemos quantos homossexuais sofrem em silêncio por medo de confessarem simplesmente o que são.

Mas e hoje? Como estará o nosso preconceito?

Há sim um avanço. Tanto que seguramente Leite receberá apoio de muitas pessoas e encorajará mais pessoas a assumir a orientação sexual que possuem.

Mas não devemos ser polianas.

O avanço existe mas é insuficiente e não está livre de retrocessos.

Leite era vítima de intensa e cruel campanha difamatória e essa campanha apenas recrudescerá.

Uma parte enorme do eleitorado jamais votará em Leite de agora em diante, porque simplesmente não tolera a diversidade.

É possível que parte da decisão de Leite tenha sido um cálculo político? Claro. Ele é um político. Mas foi uma decisão ao mesmo tempo muito humana e que representa a libertação e o apoio a milhões de pessoas que sofrem em silêncio pelo mesmo motivo.

Politicamente, essa decisão deve inclusive custar votos irrecuperáveis a Leite.

Há um contingente de eleitores ultra conservadores que jamais votará em um homossexual.

Mas sob o prisma humano, é uma decisão incrivelmente corajosa e que merece o nosso apoio, carinho e solidariedade, gostemos dele como político ou não.