Nesta semana em cerimônia de divulgação futebolística patrocinada por marca de refrigerante, Cristiano Ronaldo criou polêmica ao afastar as garrafas da bebida divulgada e colocar no seu lugar garrafas de água.

Como dizia o sociólogo Stuart Hall é condição da pós-modernidade que todo ato FENOMÊNICO se torne POLÍTICO.

O jogador luso ao meu ver agiu bem e unicamente visando o bem estar de crianças e de outros seus fãs. A paternidade tem esse poder.

Apesar de uma garrafa de refrigerante parecer ser inofensiva em um evento isolado, como um todo, não é.

Estima-se que 500 milhões de pessoas no mundo sofram de diabete, o que representa quase 8% da população mundial e só em 2019, cerca de 4 milhões de pessoas morreram apenas de diabete.

Não estou contabilizando outras doenças decorrentes do alto consumo de açúcar ou correlacionadas à própria obesidade.

Como o historiador Yuval Harari afirma, hoje o açúcar mata mais que a pólvora.

Não se trata de demonizar alimentos (embora um refrigerante esteja longe de ser um), mas de emitir as mensagens certas e projetar os símbolos adequados.

Se o evento evoca o esporte, um refrigerante não deveria estar associado a ele, pois não produz saúde.

Acredito que dentro de algumas décadas teremos a mesma visão sobre tais bebidas e alto consumo de açúcar que temos hoje das propagandas emulando as qualidades do tabaco.

Mais um gol do artilheiro luso, desta vez, fora dos campos.