Primeiro contra os nativos, depois contra os escravizados e sempre contra as mulheres, idosos e crianças.

Perdemos em torno de 50.000 vidas ao ano em nosso trânsito. Todos anos, centenas e até milhares de pessoas em enchentes e deslizamentos. Não poucos ainda morrem de fome e temos uma das maiores taxas de homicídios por cem mil habitantes do mundo.

Nos acostumamos com crianças em semáforos, pobres, indígenas, LGBTQ+ e afrodescendentes sem poder instrumentalizar seus direitos e não contamos com mais ninguém senão nós mesmos para sobreviver nestas terras.

Somos uma sociedade ególatra, narcisista, individualista, patrimonialista, obscenamente desigual e corrupta, e ainda assim, nos enxergamos como amigáveis.

Olhando agora em perspectiva, está fácil compreender porque o discurso oficial do nosso governo federal encontra eco em amplo espectro da população.

Fica cada vez mais fácil de entender porque não nos chocamos mais com 2000 mortos por dia de uma doença que não existia até poucos meses atrás e porque nada nos tira de nossa indiferença aos milhares de mortos que enterraremos nas semanas vindouras.

Podemos dizer que foi no Brasil que o coronavírus encontrou o seu éden.