O final de ano marca o encerramento de um ciclo, ocasião em que convém nos inclinarmos a alguns momentos de introspecção. Quem não reflete, raramente evolui.

Seja para indivíduos, seja para a humanidade, esta é a época ideal justamente para se percorrer mentalmente os caminhos que adotamos.

Em 2020, enfrentamos a maior crise social, sanitária e econômica desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945): temos milhões de mortos, doentes, órfãos e falidos, mas não estamos fadados a sucumbir.

Não devemos nos culpar por tudo que está acontecendo, mas por outro lado, não podemos nos furtar a nos responsabilizar como espécie sobre grande parte das consequências que estamos enfrentando.

O Corona vírus é um patógeno especializado em invadir corpos e programado para se replicar, mas a pandemia não é culpa do seu RNA e sim, da forma como a humanidade vem se constituindo há milhares de anos.

Se é o RNA do Corona vírus que o torna eficiente em nos invadir, contaminar e adoecer, é o DNA da injustiça social de nossa sociedade que permite que a humanidade sucumba de forma tão viral a um patógeno que nem sistema nervoso possui.

A moralidade tribal que ainda nos guia, o nacionalismo, a xenofobia, o populismo, a urbanização desigual e o desmonte de estruturas estatais matam mais que qualquer agente biológico, porque intensificam o poderio de qualquer evento natural mortífero sobre os mais indefesos.

Devemos encarar a pandemia não como a última batalha pela sobrevivência, mas como o primeiro aviso de que o nosso sistema social, econômico e político não é sustentável: à nossa espreita, temos à ameaças muito maiores ainda que o covid 19 vírus, que podem comprometer o futuro das novas gerações, como os problemas climáticos que estão apenas começando.

Talvez seja o momento propício para darmos um passo para trás para depois darmos dois passos a frente.