No mundo da infosfera só branco x negro. O cinza morreu?

Com o lançamento de meu terceiro livro, Fascismo Pandêmico: como uma ideologia de ódio viraliza?, farei breves reflexões em formato de colunas nas próximas semanas. O tema é espinhoso: adversários políticos – sem nenhum amor à precisão de conceitos filosóficos e políticos – têm atirado sobre si epítetos como fascista, comunista entre outros.

Com o envenenamento das relações sociais causado pelas bolhas interneticas, de repente, todos à minha esquerda são comunistas e todos à minha direita são fascistas. Progressistas? São comunas. Conservadores? Só podem ser fascistas. Enquanto a política lastreada na diversidade apregoada pelo liberalismo habita um universo multifacetado, multidimensional e repleto de cores e nuances, a política infosferica venera a linguagem binária do branco x preto, do nós versus eles.

Quando uma dinâmica como essa se instala, em geral nos referimos a nossos adversários com os nomes mais feios que pudermos utilizar.

Essa utilização indevida de nomes que extravasam a qualidade de meros substantivos, mas representam muito além, se referindo a conceitos complexos, nada reducionistas e que tratam de temas sensíveis à humanidade, é uma característica bem marcante da hiperhistória, fase em que a nossa sociedade pós-moderna se encontra.

Repentinamente, as coisas não precisam mais ser o que são, mas podem ser o que quero que sejam. Se você diz Lula Livre é Comunista e se diz Brasil acima de tudo, é fascista. Será que as coisas podem ser assim tão simples?

Apresentada a nossa proposta, em meus próximos textos, iniciarei um exame detido sobre o quê foi e o quê pode ser o fascismo hoje, tentando fugir de todos estes arroubos retóricos assinalados acima.

Tentarei responder questões que me impactaram profundamente durante o processo de pesquisa e escrita de Fascismo Pandêmico, tais como:

– o fascismo é nacional ou universal?

– o fascismo realmente morreu ao término da Segunda Guerra Mundial?

Trarei outras questões, mas vamos dar um passo de cada vez. Até breve.